segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Perfil nada comportado de um cidadão pequeno-Autoretrato 1

     "Preciso dominar o que você pensa,você não pensa por você mesmo".

                                           
Então é isso.Eu nasci,cresci,aprendi a andar,caí e levantei.Depois fui abandonado pelo progenitor(não chamo pai).Fui á escola,mas,aprendi a ler e escrever fora dela,apanhando...mas,sou grato a isso.Não me deformou,me ajudou.
Tentava ser amigo de todos,mas,na verdade,isto era impossível,no cinismo do dia-dia da  minha infância,as crianças não eram tão amáveis.Me prender era melhor,eu no meu universo paralelo em meio aos conflitos familiares caminhava sem ter noção exata do que acontecia,mas,sofria.Não entendia:sofrimento enobrece e ajuda á crescer.Crescendo desde 1981.
Os Natais em Irajá,"axé p´ra todo o mundo axé",dizia um jingle de um canal de televisão na época,quase fim dos anos 80,não sabia que tudo aquilo ficaria marcado p´ro resto da minha vida.Bezerra da Silva nas festas,carnavais de concursos de fantasia,amores platônicos impossiveis,Plano Cruzado,Primo Cruzado(lembra da Sessão Comédia no 4?),Roda de Fogo.

Já tinha uns 8 anos quando falavam de uma queda de um tal muro de Berlim,num certo dia 9,mesmo dia do meu aniversário,porém,num Novembro que realmente não me lembro o que fazia.Só que frequentava a escola,Abeilard Feijó,aquela mesma em que escrevi uma redação sobre meio ambiente e que inesperadamente foi p´ra um concurso de redações no Estado do Rio,tirando o 3º lugar.Queriam me condecorar bem cedo na escola,mas,como só chegava atrasado,só ganhei a medalhinha e um certificado um mês depois,ao som do Hino Nacional,com todos os coleguinhas da escola me olhando,e eu não tinha a noção exata  do que aquilo representava de fato,todo brasileiro sonha com este momento um dia,morre sem nunca ter sentido esta sensação  e eu ali,sonolento...isento do fato histórico.

O fato histórico "relevante" p´ra mim foi ter dançado Lambada na festa junina da escola(.."adocica,meu amor adocica...")...todas as meninas com a carinha pintada de caipiras,correria,um bem-viver...lá se foi o ano de 1990.Lá se foi a Abeilard Feijó e a sua Rainha da Sucata debaixo da saia.Veio o Collor...enfaixado de verde-amarelo.Anos rebeldes neLLe!
Veio 1991,me levaram p´ra Natal-RN...p´ra mudar a minha visão daquela vida que eu levava que achava ser a única,nada revolucionário,só mudei de sotaque por seis meses até voltar pro Rio de novo deslumbrado com uma viagem de ônibus que travessou vários estados e ate hoje não me esqueço e sei que vou repetir novamente...uma visão que não saiu da minha cabeça foi a de um pequeno cemitério de uma cidadezinha pela qual o ônibus passou...triste.A lembrança boa foram as montanhas e as lavadeiras na beira da estrada.
Até então os anos mais turbulentos estavam por vir ainda.E também o melhor ano da minha infância:1992.
Não era um pequeno cidadão mal comportado,afim de querer mudar o sistema e a vida das pessoas.A revolução era uma palavra que não pertencia ao meu dicionário,nem em 1992,demorou muito.
Voltarei no próximo post p´ra falar somente de 1992,ano que foi marcado por muitas mudanças no nosso cenário mundial,mas,principalmente pelas minhas experiências infantis.
Dedico este poema áquela criança que fui de 81 a 91:

PINGO

Pingo que foi no início
abandonado e entregue aos perigos do vício
madre forte,carregou-te contigo
ao peito o leite,na vida por um fio
Criança pobre,rico princípio..
De cá p´ra lá,daqui p´ra ali.
Sarney, depois o Tancredo,
o povo morrendo de medo
tornou-se o proprio coração de estudante
O fracasso se torna sucesso constante...brinquedo.
Viver é sempre crescer.